"Quando solicitadas a explicar
o que o amor significava para elas, as jovens prostitutas
utilizavam expressões do género "sentir segurança; sentir
protecção; receber atenção". O que subentendemos destas respostas é
que para algumas raparigas a "prostituição" não é uma realidade.
Para elas, o que é real é que são a "senhora" ou a "mulher" do
proxeneta; é este o significado do amor." Mike Baizerman e
colaboradores (Centro para a Investigação e Promoção do
Desenvolvimento do Jovem, Universidade de Minnesota). A
prostituição na adolescência é um problema ao qual ninguém fica
indiferente. Algumas vezes, no contexto escolar é expresso o
receio, sobretudo por professores e auxiliares de acção educativa,
de que esta ou aquela jovem enveredem por esta actividade, uma vez
que facilmente se envolvem fisicamente com um número significativo
de colegas do sexo oposto. Face a este problema, de imediato se
coloca uma questão: o que leva as adolescentes a sentirem-se
atraídas por uma actividade como esta? Será por gostarem de sexo?
Ou será com o objectivo de obter dinheiro de uma forma "fácil"? Os
estudos realizados por vários investigadores, envolvendo um elevado
número de jovens prostitutas, demonstraram que a prostituição nesta
faixa etária não tem como fonte de motivação os aspectos
mencionados, nem se trata de uma decisão cuidadosamente tomada. Na
maior parte dos casos, as jovens são arrastadas para a prostituição
por um adulto, o proxeneta, que conhece bem as suas necessidades
psicológicas. Estas geralmente são provenientes de famílias
marcadas pela brutalidade e instabilidade, que apresentam relações
débeis e um padrão de desmembramento muito elevado. A integração
destas jovens em contextos familiares muito fragilizados contribui
fortemente para que as suas necessidades de carinho e afecto não
sejam devidamente satisfeitas, sentindo estas uma necessidade muito
forte de dependerem de alguém. Estas jovens têm geralmente uma
auto-estima pobre, falta de autoconfiança e frequentemente estão
num processo de fuga de casa. A forma como o proxeneta actua é
muito curiosa e permite compreender o seu poder junto das
adolescentes. Ele funciona como um "psicólogo" astuto, que com uma
habilidade extrema manipula a necessidade básica de amor e de
ligação afectiva destas adolescentes. Na maior parte das vezes,
mediante uma abordagem romântica e a oferta de presentes vistosos,
o proxeneta convence a adolescente de que lhe pode dar a protecção,
a segurança e o amor de que ela necessita. Na sequência da relação
estabelecida, este ensina-lhe a executar actos de sexo e esta
rapidamente se disponibiliza a trabalhar para ele. Para estas
adolescentes, socialmente imaturas e de certa forma ingénuas, a
atenção, os presentes e o amor ilusório oferecidos por estes homens
tornam-se verdadeiramente irresistíveis. Pelo menos, a presença do
proxeneta leva-as a sentirem-se amadas, sentimento que não
vivenciaram no seu contexto familiar de origem. Face ao que foi
exposto, não é difícil de compreender o quanto pode ser difícil a
intervenção junto de adolescentes envolvidas neste tipo de
actividade, uma vez que, para todos os efeitos, a maioria delas
sentem que finalmente apareceu alguém empenhado em pôr fim à aridez
de uma vida sem amor.
by: ♥ Máh Ckristyna ♥
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